O Que É a Meditação? O Caminho Espiritual que Conduz à Presença de Deus | Jean-Yves Leloup

A meditação começa quando percebemos uma verdade simples: existe uma grande harmonia acontecendo em toda a criação.

A natureza não está com pressa. O sol nasce no seu tempo. As árvores crescem sem ansiedade. Os rios seguem seu caminho sem preocupação. Toda a criação possui um movimento pacífico.

Quando o ser humano aprende a perceber isso, ele começa a entrar em contato com uma paz que já existe.

Meditar não é apenas parar alguns minutos e tentar não pensar em nada. Meditar é aprender a conhecer essa paz que emana da ordem universal. É experimentar essa paz, não apenas ouvir falar sobre ela.

Existe uma diferença entre saber que algo existe e realmente conhecer aquilo.

Uma pessoa pode ouvir muitas vezes sobre a luz do sol, mas somente quando ela sai ao sol e sente o calor e sua luz que ela realmente irá entender o que é a luz do sol que as pessoas tanto falavam.

A mesma coisa acontece com a paz de Deus.

Uma pessoa pode ouvir muitas vezes sobre a paz de Deus, mas somente quando ela encontrar com Deus ela começa a conhecer essa paz de verdade.

Mas existe algo importante, imagine que você nunca ouviu falar sobre um carro, sendo assim, você jamais pensaria em um caro, você jamais desejaria ter um carro e se visse um carro, jamais saberia que aquilo era um carro.

Por isso, o primeiro passo é aprender sobre a paz de Deus. Para deseja-la e depois encontrá-la.

Muitas vezes, o ser humano passa a vida vivendo no automático. Ele repete hábitos, segue desejos, corre atrás de coisas e esquece de olhar para si mesmo.

A voz espiritual chama: desperte.

Isso significa sair de uma vida conduzida apenas pelos impulsos e começar um caminho de transformação.

O ser humano não nasceu para permanecer sempre igual. Existe dentro dele uma possibilidade maior de crescimento.

Mas essa mudança exige trabalho.

Não é uma mudança feita apenas por vontade momentânea. É uma transformação profunda, feita pouco a pouco, através de disciplina e prática espiritual.

Assim como uma pedra preciosa precisa ser trabalhada para revelar sua beleza, o ser humano precisa purificar aquilo que dentro dele causa confusão, excesso de desejos e agitação.

Esse trabalho não destrói quem somos.

Pelo contrário.

Ele revela aquilo que existe de mais verdadeiro em nós.

A verdadeira obra da vida é transformar a própria existência em algo mais próximo de Deus.

O primeiro ensinamento da meditação é simples:

Aprenda a estar onde você está.

O corpo precisa aprender a ficar em paz antes que a mente consiga encontrar descanso.

Muitas vezes, estamos sentados em um lugar, mas nossa mente está presa no passado ou preocupada com o futuro.

Pensamos no que aconteceu.

Pensamos no que pode acontecer.

Pensamos no que as pessoas acham de nós.

E assim perdemos o único momento que realmente temos: o agora.

A prática espiritual ensina a voltar.

Quando perceber que seus pensamentos estão levando sua atenção para longe, não lute contra eles.

Apenas volte.

Volte sua atenção para sua respiração.

Volte sua atenção para seu corpo.

Volte sua atenção para este momento.

Faça isso muitas vezes.

Cada retorno fortalece sua presença.

É como ensinar uma criança a caminhar. Ela cai várias vezes, mas continua tentando.

A meditação também é assim.

O objetivo não é nunca ter pensamentos.

O objetivo é não ser levado por todos eles.

Existe um lugar dentro de você onde há paz antes das preocupações, antes dos desejos e antes dos medos.

É nesse lugar que a pessoa começa a perceber a presença de Deus.

O ser humano costuma procurar coisas grandes e complicadas.

Mas muitas vezes a transformação começa no simples.

Aprender a ficar quieto.

Aprender a respirar.

Aprender a ouvir.

Aprender apenas a existir diante de Deus.

A pessoa não precisa criar uma experiência extraordinária.

Ela precisa aprender a permanecer.

Muitas vezes queremos sentir algo especial imediatamente.

Queremos sinais.

Queremos respostas.

Mas a vida espiritual profunda ensina que existe um caminho de paciência.

A presença de Deus não precisa ser criada.

Ela precisa ser percebida.

A paz não cria Deus.

A paz apenas permite que a pessoa perceba aquilo que já está diante dela.

Essa paz interior só nasce quando paramos de lutar contra a realidade do momento.

A vida traz alegria e tristeza.

Traz momentos fáceis e momentos difíceis.

A pessoa que busca somente aquilo que agrada acaba ficando escrava das próprias preferências.

A humildade ensina outro caminho.

Ela ensina a receber a vida como ela chega.

Isso não significa dizer que tudo é igual.

Significa reconhecer que existe uma sabedoria maior conduzindo todas as coisas.

A humildade é enxergar a si mesmo corretamente.

Não se colocar no papel de Deus querendo controlar o mundo.

Não se colocar acima dos outros.

Não se diminuir.

Apenas reconhecer:

"Eu sou uma criatura diante do Criador."

Quando a pessoa abandona a necessidade de colocar o próprio desejo no centro de tudo, ela começa a encontrar descanso.

Porque grande parte do sofrimento nasce da luta constante para que tudo aconteça do jeito que queremos.

A humildade abre espaço para Deus agir.

A respiração é uma porta para a paz.

Todos os dias respiramos sem perceber.

Mas quando prestamos atenção na respiração, encontramos um caminho para voltar ao momento presente.

Observe sua respiração.

O ar entra.

O ar sai.

Sem esforço.

Sem pressa.

Existe movimento, mas também existe tranquilidade. Exatamente como o mar, na superfície as ondas vem e vão, mas no fundo há tranquilidade.

Assim também é a vida.

Existem acontecimentos, mudanças e preocupações passando pela superfície.

Mas existe um lugar mais profundo onde a alma pode permanecer em paz.

Os pensamentos podem aparecer.

As emoções podem mudar.

Mas existe uma parte mais profunda que pode permanecer voltada para Deus.

Quando uma pessoa acompanha sua respiração com atenção e lembra de Deus, ela transforma um ato comum em oração.

Cada respiração se torna uma lembrança:

"Eu recebo a vida de Deus."

"Eu entrego minha vida a Deus."

A pessoa que aprende a escutar profundamente sua própria respiração começa a se aproximar dessa paz divina.

Existe também uma forma de oração onde a pessoa repete o nome de Deus com simplicidade.

Não como uma obrigação.

Não apenas como uma palavra repetida pela boca.

Mas como uma lembrança viva dentro do coração.

Cada vez que o coração bate, você se lembra do poder de Deus e que ele está cuidando de tudo, inclusive das batidas de seu coração.

Ouça Deus falando dentro do seu interior. Cada batida do coração é um sussurro: se acalme filho, estou cuidando de tudo.

Quando pensamentos surgirem, volte novamente as batidas do coração.

Quando preocupações aparecerem, volte novamente.

Pouco a pouco, a repetição deixa de ser apenas uma ação feita pela pessoa.

Ela começa a envolver toda a existência.

Nesse momento, a distância entre aquele que busca Deus e Deus começa a desaparecer.

As palavras deixam de ser necessárias.

Assim como alguém que chega ao seu destino não precisa mais continuar caminhando, a alma que encontra a presença de Deus descansa na paz Divina.

Existe um momento em que a pessoa precisa simplesmente parar.

Não acrescentar mais pensamentos.

Não procurar novas respostas.

Não tentar controlar a experiência.

Apenas permanecer.

Mesmo pensamentos considerados bons podem afastar a pessoa dessa paz divina.

Porque até uma ideia positiva ainda é uma ideia.

A presença de Deus está além dos pensamentos.

Por isso, o espírito precisa aprender a ficar em paz.

Não vazio por falta de vida.

Mas aberto para receber.

Nessa paz profunda, a pessoa encontra descanso.

Ela deixa de carregar tudo sozinha.

Ela reconhece que existe uma presença maior sustentando sua vida.

A verdadeira paz não nasce quando todos os problemas desaparecem.

Ela nasce quando o coração encontra um lugar onde pode permanecer tranquilo mesmo enquanto a vida continua acontecendo.

Uma pessoa que encontra essa paz se torna um lugar onde Deus pode habitar.

Ela carrega paz.

Ela transmite paz.

Ela se torna uma presença de calma em meio à agitação do mundo.

E então compreende:

A maior transformação não é mudar tudo ao redor.

É permitir que Deus transforme aquilo que existe dentro de nós.

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